quarta-feira, 15 de junho de 2016

simulacro

criava escafandros
preenchidos
por problemas imaginários

a dor desmedida
de fato
enaltece as cores
do desespero
de quem 
nãotempeloquê.

de quem tem o peito 
recheado
de discos e livros
cenas
sóis
luas
sombras
qualquer aura
de poesia
repelente
de tudo
que é verdadeiro
e belo

bem sabia 
ser desnecessário
o espanto
ou
o estilhaçar
do simulacro

deve ser pesada 
a sombra que arrasta
teu delírio

no entanto
a realidade adorna
o jantar está posto
o bule apita.

pudera apossar-me
da calmaria
com que desfaz-te
quase que com fascínio
de toda paixão.

lis 13-15/06/2016