quarta-feira, 29 de junho de 2016

atom

apressada
como se tudo
fosse
insípido

esperando
- tolice! -
o instante
revelador
preciso
revolucionário

a romper
o silêncio

como se os lábios
selados
fossem nó

e neles
se prendesse
a esperança
e o tempo.


lis 29/06/2016

domingo, 19 de junho de 2016

Infiatio

A voz que ecoa
Não é grito
Não é dor

A infâmia
Toma conta
Jaz insone
Entre a tormenta
E os verões

Vede a tua sina
E lamenta
Os sorrisos poupados
os risos ansiosos
ensurdecedores.

Da tua pele morta
brotam desejos
igualmente mortos.

E como choras!

Queria ver
Estas luzes
Navegando
Em noites escuras
De mares turbulentos

Quiçá compreendesse
O porquê
de mãos tão frias
me estender.

Lis 15/06/16

quarta-feira, 15 de junho de 2016

simulacro

criava escafandros
preenchidos
por problemas imaginários

a dor desmedida
de fato
enaltece as cores
do desespero
de quem 
nãotempeloquê.

de quem tem o peito 
recheado
de discos e livros
cenas
sóis
luas
sombras
qualquer aura
de poesia
repelente
de tudo
que é verdadeiro
e belo

bem sabia 
ser desnecessário
o espanto
ou
o estilhaçar
do simulacro

deve ser pesada 
a sombra que arrasta
teu delírio

no entanto
a realidade adorna
o jantar está posto
o bule apita.

pudera apossar-me
da calmaria
com que desfaz-te
quase que com fascínio
de toda paixão.

lis 13-15/06/2016

sábado, 11 de junho de 2016

outrarevisãoeterna

A torta de amora
Imóvel
Sob a mesa.

A cereja
Devorada
Entre os dentes

A ânsia contida
De correr
Sob o parapeito

E ainda há quem defenda
O fim
De todo
Silêncio


(de toda solidão/ou de toda tristeza)  lis 09/06/16

segunda-feira, 6 de junho de 2016

arevisãoeterna

ecoa
o som do martelo
na minha cabeça
e
emprega
essa ânsia
in
su
por

vel

que corrói
as quimeras mais belas
os surtos
tragicômicos
de quem
não conseguiu
decidir
se pisa no degrau
ou pula
a escada.

agora sim
exasperei
da tristeza polida
deste sentir
e não sentir
da espera
infantil
que evoca
o pôr do sol.

de repente
um estrondo
tão fugaz
como a graça
que o artista, insano, procura
eternizar
num esforço impossível
de subir aos céus

mas não sei,
não
sei
a extensão
das ideias
a que
pensei
ter curvado

tampouco
a profundidade
do parafuso.

lis 05/06/2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

nadamais

saudade de quando a vida tinha propósito.

incumbida de sustentar a sombra dos caminhantes
destas ambiguidades
dos sorrisos dúbios
tão doces
que quase por um instante 
são o estrangeiro
de tudo aquilo
que imaginei conhecer.

o fato é que 
ropouso 
sob vigas gastas
esgueirando-me entre as folhas
observando
 - como observa o filho
pródigo
abandonado - 
a melancolia
dos amores imaginários
das dúvidas vertiginosas 
paralisantes

quando se rompem
lanço-me
numa tentativa
inócua
que desconcerta
todo enredo
todo engodo
pois 
nem mesmo a utopia
satisfaz:

desejo o esplendor
e nada mais.


lis 03/06/2016