quarta-feira, 11 de maio de 2016

Insone

Temo
Por estas correntes
Solúveis 
Ao teu toque

Porque as horas
Em que te prendes
Fizeram de ti
Jazigo

E os meus silêncios 
Despertaram 
O soluço disforme
De quem engasga
Com a vida

Lis 11/05/2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

operária - ocaso

De tanto trabalhar
desmaiou

estirada no vão da calçada
espalhando o terror
da inconveniência

às vezes observava
de soslaio
os transeuntes e
pensava
"melhor levantar"
mas não era tardia a desesperança
e logo punha a cabeça de volta
ao chão

Fosse o que fosse
ali havia a chuva
e as estrelas
enquanto lá
o estardalhaço das bobinas
ocas
inócuas
empedrando os olhos
dilacerando os dentes
semicerrados

no canto rouco
do maquinário
a desvendar
todos os sonhos
atravessar toda paisagem
a trancafiar
qualquer
saída

03/05/2016

O ocaso
vira gente
quando
da serpentina
expele-se o veneno

Toda obra
encandecida
em noites frias
acende, apaga
e queima
nos lábios dos mujiques

A sombra
da mocinha
reflete nos lábios
as modas desditas

Pudera ter
este sorriso
cravejado no tempo

E, ademais,
o ocaso seria
aurora

06/05/2016