sábado, 11 de julho de 2015

he captured a mermaid - about lovers

Como é de costume dos homens apoderar-se das feições mais frias e das silhuetas dissonantes, ele capturou uma sereia.

Presa em um receptáculo de vidro, emoldurada por cabelos cor de cobre. A face, a desgosto da criatura, é taciturna. Lhe foram arrancadas as linhas tortas da testa, a preocupação dos olhos inquietos a fitar arredores turvos por onde outros traçavam seus caminhos. O captor sorria satisfeito a observar os transeuntes alheios à sua conquista. 

Não tardou a desanimar-se. Percebeu a inconsistência de sua felicidade e a placidez com que a sereia, outrora impetuosa, fazia pouco caso de seu aprisionamento. A bruma da noite o impede de observá-la. Aquém da qualidade de seus atos, apaixonara-se além do desinteresse alheio.

Afinal, o que é um amante a não ser um amontoado de pele na qual nos escondemos?

lis
11/07/2015