quinta-feira, 14 de maio de 2015

Era como um quadro de Monet. Vívido, claro, belo e confuso na medida em que os olhos poderiam se adaptar. Um momento, como tantos outros momentos taciturnos, cuja lembrança não desejava apagar e, volta e meia, quando sentia-se só, relembrava-se das árvores que entrelaçavam suas cores púrpuras e manchavam, turvas, o olhar. E quando finalmente acomodava-se o sol surgia tímido dentre os galhos ainda e sempre vistosos. Poderia, dez anos mais tarde – e haveria de fazê-lo – caminhar ao lado daqueles ramos e sentir a imensidão do tempo estancada, como se jamais tivesse deixado o jardim, naquele silêncio que percorria os corredores da casa e findava no toque da terra lamacenta extasiando-a com tamanha contradição. E, pouco a pouco, voltava a face para o corpo intrépido que permanecia em pé, tocava os pés ásperos e despertava dos sonhos que um dia vivera.


Lis 22/04/2015