quinta-feira, 14 de maio de 2015

Entrecortadas estão minhas lembranças. Flutuam silenciosas entre o verde, o musgo, os galhos e o sol que fito com afinco para palpar o branco manchado de tinta que mescla-se com os muros de tijolo furado. Criticam-me.  Quaisquer seres sensatos em demasia denotariam a ordem fugaz com que o fazem e, porquanto às suas indeléveis razões, lhe tomariam partido e marchariam, chorosos, em minha direção, clamando pelos tempos nos quais a voz, hoje estéril, rompia bravamente suas menções e apegos, deleitando-se na fantasia de seus pormenores valiosos, porém insípidos. Falava das tulipas, dos jasmins, das petúnias e das begônias tateando no escuro, quando tudo o que fazia de verossímil era pisotear cogumelos. Embora impávida, sucumbiu aos meios modernos. Às graças das cores sólidas, da rapidez, da fugacidade da vida, das experiências esquálidas que irrompem a adrenalina, mas são decrépitas quanto ao seu âmago. E em uma confusão cor de topázio como um furacão voraz e rançoso permitiu-se, numerosas primaveras depois, ainda que aflita e temerosa, res-sentir.

Lis; 03/04/2015