sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Anos

Elas morreram de tristeza. 
E apesar de serem duas, das cinco que outrora viveram, pareciam muito mais. A imagem já não existia e aquelas mulheres, deveras amarfanhadas, desapareceram. Não se foram, de fato, pois permanecem vivas na memória – contudo, é algo tão comum e reconfortante a ser dito que me pego pensando ser mentira.
E dadas as circunstâncias, deixaram os vestígios de suas vidas incompletas pelas ruas de uma cidade tórpida, cujas esquinas não apreciam o vento e as almas, temerosas, escondem-se detrás das cortinas.
Hoje, fazemos jus às suas memórias desacreditando na vida e definhando tão triste e lentamente – com o perdoar de mais um clichê – às beiras da jabuticabeira.


Lis, 29/08/2014