domingo, 14 de novembro de 2010

Frufrus


Não gosto destas mulheres “frufrus”. Elas chegam aos lugares mais caóticos e desinteressantes da cidade rindo e cantarolando burlescas canções de massa que inferem em meus ouvidos a demência das convenções. Socializam com qualquer forma de vida igualmente à rapidez com que piscam os olhos. Pretendem cursar qualquer faculdade conveniente e disto constituir suas histórias, tendo aos seus lados um homem aleatório que às satisfaça nos efêmeros quesitos e preencham de aparente significância os buracos que cavaram em suas mentes. Usualmente aspiram “afogar-se de amor”, com exatidão nas palavras risíveis. Amor submarino é bom para peixes. Amigos e a imagem da famosa família conveniente americana já são passado: piorou. Além disto, existem as más traquinando conhecidos e iludindo falsos amigos.  Esquecendo o engrandecimento de suas consciências, admito que o que me importuna não reside em seus âmagos, mas sim nas variadas maneiras com que chegam até mim seus sórdidos feitos. Talvez eu seja um pouco presunçosa. Tão insignificantes coisas feriam-me a tal ponto que deprimia em seus pormenores. Hoje, resignei-me. Abraço tais situações como a fétida carne no bico do corvo. Permaneço adoecendo periodicamente, o que carrega a aparente fé na raça humana. Embora saiba que minhas opiniões e contradições são azedas e insignificantes diante de seres e acontecimentos valorosos, ainda alimento meus pensamentos. A novidade, que venho apreciando há pouco tempo, está naqueles que repõem - mesmo que por minutos - a existência de pueris, contanto satisfatórios sentimentos e ações. Pena que, então, aborreço-me com tamanho clichê: inesperadamente  o amparo vem de um desconhecido e vai-se sem conhecer a verdadeira índole daquela que, em meio ao caos e com um sorriso largo, juntou-se a mim para recolher as dezenas de folhas que atrapalhadamente deixei cair ao chão da Avenida da cidade. Disse a moça: “é tão ruim quando isso acontece”. Por fim, percebi que mesmo eu e as “frufrus” temos algo em comum.

Obrigada.
Lígia Portela Schipper; domingo, 14 de novembro de 2010