terça-feira, 17 de agosto de 2010

Disritmias

Reles sorrisos de dentes brilhantes por entre os corredores e as austeras madeixas a sacudir com o vento. Uns e outros admiradores de sua beleza que reside na tênue linha existente entre naturalidade e mentira. A aleivosia, por si, não é apenas visual. Está na fala, nos gestos, nos passos e é parte do oxigênio que ela necessita para viver.

Alumiou os castanhos olhos de seus amantes amigos e decretou benevolência com os que lhe cumprimentaram sem cessar durante as manhãs frias e as tardes quentes do verão. Os que lhe negaram a face e absteram-se do falso sorriso, tornaram-se vítimas de suas blasfêmias. Tais blasfêmias revelam a hipocrisia de seu ser sem hesitar, visto que o pudor carrega os mesmos defeitos, as mesmas agregações que julga e das quais ri, ainda em maior quantidade e pior qualidade. Sempre acompanhada. Eternamente sozinha.

Pobre de espírito. Ladra e corrupta. Aos que a adoraram: tolos enganados por suas peculiaridades inexistentes e voz patética. Uns patetas; é o que são.


Lígia Portela Schipper; terça-feira, 17 de agosto de 2010